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Ano I - número 4 - julho de 2010

CHINA DIZ QUE MUDA, MAS QUE YUAN FICA ESTÁVEL
Reuters/ PEQUIM - O Estado de S.Paulo

A China vai manter a taxa de câmbio do yuan a um nível basicamente estável, disse ontem o Banco Central (BC) chinês, sugerindo que o novo regime cambial do país será muito parecido com o antigo.

No sábado, Pequim havia anunciado que voltaria a fazer com que o yuan se tornasse mais flexível, mostrando que pretendia acabar com 23 meses de um câmbio fixo em relação ao dólar.

Mas o longo comunicado do BC claramente descartou, ontem, a possibilidade de uma mudança única, dizendo que não havia base para uma grande apreciação.

A falta de um aumento real da taxa de câmbio chinesa forneceu munição para os críticos, especialmente para os conservadores do Congresso americano, que dizem que as ações de Pequim falarão bem mais do que suas palavras e que penalidades deveriam ser aplicadas, caso o governo continue a manter o yuan artificialmente barato.

"Apenas um dia depois de muito alarde sobre o fato que os chineses finalmente iam mudar sua política cambial, eles já estão voltando atrás. Isso reforça nosso ceticismo inicial", disse o senador Charles Schumer, conhecido crítico da China.

Entretanto, outros líderes dos EUA, União Europeia e Japão, entre outros, receberam a promessa da China de aprofundar a reforma do yuan como uma contribuição promissora para o reequilíbrio da economia mundial, da qual o crescimento da China depende decisivamente por causa das exportações, enquanto os EUA se afundaram em dívidas para incentivar os gastos.

Em Brasília, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, considerou "bem vindo" o anúncio feito pelo governo da China com a possibilidade de uma flexibilização da cotação da moeda local, o yuan.

Segundo Meirelles, "o anúncio do Banco Central chinês, em direção à uma maior flutuação do yuan, é bem-vindo. Demonstra a disposição do governo da China de contribuir para um maior equilíbrio econômico global. Mas é preciso aguardar os próximos desdobramentos", disse o presidente do BC brasileiro.

Hoje, as atenções estarão voltadas para a taxa de referência diária, definida pelo BC chinês. Muitos economistas acreditam que Pequim vai aumentar o valor da moeda aos poucos. Os mercados de ações do mundo todo podem reagir com a notícia, que chega uma semana antes do encontro do G-20 (que reúne os países desenvolvidos e emergentes) no Canadá, e que pode diminuir os temores de uma briga entre os EUA e a China, em um momento bastante delicado para a economia mundial.

No domingo, o BC prometeu implementar "uma administração dinâmica e ajustes" que poderiam levar o yuan a cair e não apenas a subir em relação ao dólar, dependendo do desempenho de outras moedas. Mas o ponto crucial do sistema de câmbio seria o mesmo que tem sido até hoje. Ou seja, o yuan provavelmente voltará ao mesmo caminho de ganhos graduais em relação ao dólar, o que se viu por três anos, até meados de 2008.

"Manter o yuan basicamente estável em um nível razoável e equilibrado é uma parte importante para continuar com a reforma do sistema de câmbio do yuan", disse o Banco Popular da China, completando que novos ajustes serão necessários, para permitir que as empresas se ajustem às mudanças.

Economistas chineses disseram que a decisão se justificava, sob o ponto de vista econômico, mas que, principalmente, visava interesses políticos. "Essa declaração importante do governo chinês, logo antes do encontro do G20, é uma grande concessão para evitar que o sistema de câmbio do yuan seja usado politicamente pelos países ocidentais", disse Gao Shanwen, economista chefe da Essence Securities em Pequim.

A China disse que congelar o yuan desde julho de 2008 ajudou a suavizar o impacto da crise financeira global e estimulou a recuperação mundial.

O Banco Central Europeu e Jean-Claude Juncker, que dirige o Eurogroup de ministros de finanças de Zona do Euro, disseram em um comunicado conjunto que recebiam a decisão da China sobre o yuan com satisfação."Considerando-se o papel importante da China na economia global, encorajamos as autoridades a permitir que a taxa de câmbio do yuan tenha mais flexibilidade, como meio de promover um crescimento equilibrado na China e na economia mundial."